Filmes:
Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Thin Roof, 1958)
Elizabeth Taylor ganhou o Laurel Award de melhor atriz por este filme indicado a seis Oscars, incluindo melhor ator, melhor atriz e melhor filme. Dirigido por Richard Brooks e adaptado da peça do consagrado dramaturgo gay Tenesse Williams, o filme traz Paul Newman no papel de um homem que é casado com uma bela mulher mas que é apaixonado por seu melhor amigo.
Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959)
Mais uma obra prima do diretor austríaco Billy Wilder. Vencedor do Oscar de melhor figurino, o filme traz Jack Lemon e Tony Curtis vestidos de mulher e contracenando com Marilyn Monroe, eterno ícone gay. Some Like It Hot foi indicado a seis Oscars e recebeu três prêmios Golden Globe, inclusive o de melhor atriz para Marilyn.
Perdidos na Noite (Midnight Cowboy, 1969)
Jon Voigt ganhou o Golden Globe interpretando um rapaz do interior que se prostitui enquanto tenta a vida na cidade grande. Indicado a sete Oscars e sete Golden Globes, Midnight Cowboy foi o primeiro filme proibido para maiores de 18 anos a receber o Oscar de melhor filme, também ganhando nas categorias de melhor direção e melhor roteiro.
Morte em Veneza (Morte a Venezia, 1971)
O lendário cineasta Luchino Visconti recebeu o prêmio especial da 25ª edição do Festival de Cannes por este filme que mostra com muita sensibilidade o amor de um homem maduro por um jovem rapaz durante uma temporada de verão. O filme foi indicado ao Oscar de melhor figurino e ganhou seis prêmios da Associação Italiana de Jornalistas de Cinema.
Um dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975)
Filme de Sidney Lumet com seis indicações ao Oscar. Conta a história de um homem que assalta um banco na esperança de conseguir dinheiro para pagar a cirurgia de mudança de sexo do seu companheiro. Al Pacino tem o papel principal neste filme que recebeu o Oscar de melhor roteiro e que teve sete indicações para o Golden Globe.
Minha Adorável Lavanderia (My Beautiful Laundrette, 1985)
Filme de Stephen Frears que mostra a comunidade de imigrantes indianos na Europa punk dos anos 80. Daniel Day-Lewis recebeu o New York Film Critics Circle Award de melhor ator coadjuvante e Hanif Kureishi o de melhor roteiro, categoria na qual também foi indicado ao Oscar.
A Cor Púrpura (The Color Purple, 1985)
Baseado no romance espírita psicografado por Alice Walker e dirigido por Steven Spielberg, A Cor Púrpura foi indicado a onze Oscars e cinco Golden Globes, rendendo o prêmio de melhor atriz dramática para Whoopi Goldberg. Nesta obra repleta de dramas e injustiças familiares, destaca-se a ternura da paixão e da amizade de Celie por Shug Avery, a amante do seu marido.
A Lei do Desejo (La Ley Del Deseo, 1987)
Nesta elaborada trama de Pedro Almodóvar, Antonio Banderas interpreta um violento psicopata que se apaixona por um escritor. A produção recebeu o prêmio de melhor filme do ano no Festival Internacional de Berlim.
Maurice (Idem, 1987)
Hugh Grant e James Wilby receberam juntos o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza por suas atuações neste filme de James Ivory que foi indicado ao Oscar de melhor figurino. No século XIX, dois colegas de faculdade se apaixonam e têm seus destinos afetados pelos preconceitos da sociedade.
Garotos de Programa (My Own Private Idaho, 1991)
Obra sensível escrita e dirigida por Gus Van Sant e que lhe rendeu o prêmio de melhor diretor do ano no Festival Internacional de Toronto. O filme tem Keanu Reeves no papel principal e mostra a realidade brutal da vida de garotos envolvidos com drogas e prostituição. Recebeu três Independent Spirit Awards: melhor música, melhor roteiro e melhor ator para River Phoenix.
Um Amor Diferente (Salmonberries, 1991)
O alemão Percy Adlon recebeu o Bavarian Film Award e o prêmio do Festival Mundial de Montreal de melhor direção por este filme que narra a história de amor entre uma esquimó e uma bibliotecária. O filme é estrelado pela cultuada cantora k.d. lang.
Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes, 1991)
Grande sucesso comercial do ano, o filme tem um roteiro original que trata de relações familiares e de canibalismo com a mesma naturalidade. No subtexto, a sensível relação homossexual entre as duas protagonistas. Indicado a dois Oscar e três Golden Globe, recebeu o GLAAD Media Award de melhor filme.
Traídos Pelo Desejo (The Crying Game, 1992)
Guerra civil, coincidências e mortes neste incrível filme com reviravoltas surpreendentes. Escrito e dirigido por Neil Jordan, foi indicado a seis Oscars e ganhou na categoria de melhor roteiro do ano.
Filadélfia (Philadelphia, 1993)
Com impecável direção de Jonathan Demme, este filme garantiu o primeiro Oscar de melhor ator para Tom Hanks, que interpreta um advogado soropositivo. Destaque para atuação de Antonio Banderas nesta produção que também rendeu o Golden Globe de melhor música para Bruce Springsten.
Amor e Restos Humanos (Love and Human Remains, 1993)
Ganhador do Genie Award de melhor roteiro adaptado, este belo filme canadense mostra uma trama de amor, assassinatos e desencontros envolvendo uma professora e um ator que fez sucesso quando criança.
O Banquete de Casamento (Hsi Yen, 1993).
Ang Lee ganhou os prêmios do Festival Internacional de Berlim e do New York International Independent Film Festival como melhor diretor por esta produção. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, O Banquete de Casamento mostra o relacionamento de um jovem oriental, que vive com seu namorado nos Estados Unidos, com seus pais conservadores que chegam para visitá-lo. Muita emoção e sensibilidade nesta produção vencedora do GLAAD Media Award de melhor filme do ano.
Priscilla, a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, 1994)
Um dos maiores sucessos do cinema australiano de todos os tempos. Um transexual e dois amigos gays cruzam o deserto da Austrália a bordo de um velho ônibus. Cenas antológicas e trilha sonora impecável no filme que ganhou o Oscar e o Australian Film Institute Award de melhor figurino e o GLAAD Media Award de melhor filme do ano.
O Padre (The Priest, 1994)
Filme que mostra com sensibilidade a hipocrisia da igreja católica em relação ao sexo. Vencedor do prêmio de melhor filme do ano no Festival Internacional de Berlim e no Festival Internacional de Edimburgo.
Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire – The Vampire Chronicles, 1994)
Galãs como Christian Slater, Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas interpretam papéis com forte subtexto homossexual nesta produção caprichada do diretor Neil Jordan. Com roteiro escrito pela própria Anne Rice (criadora do vampiro Lestat e autora dos romances vampirescos mais cultuados das últimas décadas), este filme recebeu duas indicações ao Oscar, duas ao Golden Globe e oito ao MTV Movie Awards. Entrevista com o Vampiro foi eleito o melhor filme do ano pelo International Horror Guild e ganhou o prêmios de melhor fotografia do British Society of Cinematographers.
Somente Elas (Boys On The Side, 1995)
Bela trilha sonora em um sensível filme sobre o relacionamento de um grupo de amigas. Trazendo no elenco nomes como Whoopi Goldberg e Drew Barrimore, foi o ganhador do GLAAD Media Award de melhor filme do ano.
O Beco dos Milagres (El Callejón de los Milagros, 1995)
Ganhador da menção especial do Festival de Berlim, este belo filme mexicano com roteiro cativante estrelado por Salma Hayek recebeu 48 prêmios internacionais.
Delicada Atração (Beautiful Thing, 1996)
Belíssimo filme inglês sobre a descoberta do amor entre dois adolescentes moradores de um bairro de classe operária. Através de personagens fortes e carismáticos, trata com muita ternura as relações familiares e o companheirismo. Hettie McDonald recebeu o prêmio de melhor direção no Festival Internacional de Paris e no Festival Internacional de São Paulo. Com cenas inesquecíveis, Delicada Atração também ganhou o GLAAD Media Award de melhor filme do ano.
Será Que Ele É? (In & Out, 1997)
Ganhadora do GLAAD Media Award de melhor filme do ano, esta ótima comédia é inspirada no discurso dado por Tom Hanks quando recebeu o Oscar de melhor ator pelo filme Filadélfia, no qual ele agradeceu a um professor gay. Interpretações impagáveis de Kevin Kline e Joan Cussac, que foi inclusive indicada ao Oscar e ao Golden Globe de melhor atriz.
For All – O Trampolim da Vitória (idem, 1998)
Ganhador de seis Kikitos no Festival de Gramado e três prêmios do Miami Brazilian Film Festival, este filme mostra o dia-a-dia de uma base militar americana instalada no interior do Brasil durante a segunda guerra mundial.
Garotas Selvagens (Wild Things, 1998)
A famosa cena do beijo triplo entre Matt Dillon, Neve Campbell e Denise Richards é apenas uma das atrações deste inteligente filme de suspense repleto de reviravoltas e ambigüidades sexuais. Bill Murray ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante da Associação de Críticos de Los Angeles.
Minha Vida em Cor-de-Rosa (Ma Vie en Rose, 1998)
Sensível filme belga com um roteiro criativo que mostra com muita ternura a infância e adolescência de um transexual apaixonado por seu vizinho. Recebeu o Golden Globe de melhor filme estrangeiro e o GLAAD Media Award de melhor filme do ano.
O Oposto do Sexo (The Opposite Of Sex, 1998)
Christina Ricci foi indicada ao Golden Globe e recebeu o Golden Satellite Award de melhor atriz interpretando uma moça sem escrúpulos que tenta a todo custo fazer um rapaz gay apaixonar-se por ela. Com uma trama de repleta de surpresas, este marco do cinema independente tem um elenco estrelar do qual também fazem parte Lisa Kudrow e Lyle Lovett.
O Beijo Hollywoodiano de Billy (Billy's Hollywood Screen Kiss, 1998)
O premiado Sean Hayes é o protagonista desta trama que se revela surpreendentemente realista. O filme ganhou o prêmios de melhor elenco do Casting Society of America e de melhor filme do ano do International Gay & Lesbian Film Festival.
Corações Apaixonados (Playing By Heart / Dancing About Architecture, 1998).
Angelina Jolie foi escolhida a melhor atriz do ano pelo National Board of Review neste belíssimo filme em que vários personagens descobrem o que é o verdadeiro amor. Dirigido por Willard Caroll, Corações Apaixonados traz atuações primorosas de um elenco de astros consagrados como Gillian Anderson, Sean Connery, Ellen Burstyn, Dennis Quaid e Madeleine Stowe.
Vamos Nessa (Go, 1999)
Timothy Olyphant ganhou o Youth Hollywood Award de melhor vilão neste filme conhecido como a versão gay de Pulp Fiction. Destaque para as ótimas interpretações dos ídolos adolescentes Katie Holmes e Scott Wolf.
Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999)
Esta superprodução de Pedro Almodóvar recebeu o Oscar e o Golden Globe de melhor filme estrangeiro, além do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes. Prostituição, incesto, lesbianismo, religião e transexualidade são os temas desta trama que narra o encontro de uma mulher consigo mesma após um trágico acidente.
Segundas Intenções (Cruel Intentions, 1999)
Mais uma versão para o cinema do clássico da literatura As Ligações Perigosas. Sarah Michelle Gellar ganhou o MTV Movie Award de melhor atriz em um papel muito diferente de Buffy, a caçadora de vampiros que a lançou ao sucesso. A cena do beijo entre Sarah e Selma Blair ganhou o MTV Movie Award de melhor beijo do ano.
O Talentoso Ripley (The Talented Mr. Ripley, 1999)
Anthony Minghella recebeu o prêmio de melhor direção do National Board Review por este filme com belas locações na Europa. Matt Damon interpreta um rapaz inseguro que se envolve em uma teia de mentiras e crimes para encobrir sua paixão por um jovem americano rico que vive na Itália. Indicado também a cinco Oscars e cinco Golden Globes.
Meninos Não Choram (Boys Don't Cry, 1999)
Uma jovem garota que se apresenta como rapaz tenta recomeçar sua vida em uma cidade do interior dos Estados Unidos. Baseado em uma história real, este dramático filme deu a Hillary Swank o Oscar e o Golden Globe de melhor atriz.
Truques da Paquera (Trick, 1999)
Um jovem pianista em começo de carreira se apaixona por um belo rapaz que conhece no metrô. Filme sensível com belas cenas protagonizadas pelo simpático Christian Campbell, irmão de Neve Campbell. O diretor Jim Fall ganhou o prêmio do Festival Internacional de Berlim.
36-Segredos e Confissões (Common Ground, 2000)
Três contos distintos sobre homossexualidade, amor e amizade. Jason Pristley, o Brandon Walsh de Beverly Hills 90210, interpreta um militar gay neste filme feito para a TV e que ganhou o prêmio da GLAAD.
Garotos Incríveis (Wonder Boys, 2000)
Curtis Hanson dirige um roteiro muito criativo neste filme com um elenco estrelar que traz nomes como Michael Douglas, Tobey Maguire, Frances McDormand e Robert Downey Jr. Indicado a três Oscars e quatro Golden Globes, garantiu os prêmios de melhor canção para Bob Dylan.
Antes do Anoitecer (Before Night Falls, 2000)
Javier Barden foi indicado ao Oscar e ao Golden Globe de melhor ator e ganhou o prêmio do Festival de Veneza pela sua interpretação do escritor cubano Reinaldo Arenas nesta ousada biografia.
O Clube Dos Corações Partidos (The Broken Hearts Club – A Romantic Comedy, 2000)
Ganhador do GLAAD Media Award de melhor filme do ano, esta produção traz um ótimo elenco liderado por John Mahoney, que interpreta o técnico de um time de baseball formado por um grupo de amigos gays.
Coisas Que Você Pode Dizer Só De Olhar Para Ela (Things You Can Tell Just By Looking At Her, 2000).
O diretor Rodrigo Gacía recebeu o prêmio do Festival de Cannes por este filme romântico e inteligente onde a trajetória de três mulheres acaba se cruzando em uma mesma cidade. No elenco, Glenn Close e Calista Flockhart em interpretações memoráveis.
Desejo Proibido (If These Walls Could Talk 2, 2000)
A HBO produziu para a televisão o projeto If These Walls Could Talk, no qual três histórias distintas sobre o mesmo tema são apresentadas no mesmo cenário em épocas diferentes. O primeiro filme tratou de aborto e contou com atrizes como Demi Moore, Sissy Spacek e Cher. O segundo, que foi lançado em vídeo no Brasil com o nome de Desejo Proibido, trata da relação amorosa entre mulheres. O filme, que conta também com Sharon Stone, Ellen Degeneres e Michelle Williams, deu três prêmios de melhor atriz à veterana Vanessa Redgrave: Emmy, Golden Globe e Screen Actors Guild Award.
Billy Elliot (Idem, 2001)
Belíssima produção britânica indicada a três Oscars e dois Golden Globe. O filme tem uma mensagem de luta e otimismo e ganhou o GLAAD Media Award de melhor produção do ano.
Hedwig - Rock, Amor e Traição (Hedwig and The Angry Inch, 2001)
Musical criativo e bem dirigido sobre um transexual que é usado pelo seu namorado adolescente para tornar-se uma estrela do rock. Escolhido como melhor filme no Festival Internacional de Berlim, ganhou também o GLAAD Media Award de melhor filme do ano.
E Sua Mãe Também (Y Tu Mamá Tambien, 2001)
Além dos prêmios de melhor roteiro e melhor ator do Festival de Veneza, Y Tu Mamá Tambien tem um roteiro surpreendente dirigido por Alfonso Cuarón. Foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original e ao Golden Globe de melhor filme estrangeiro, categoria na qual venceu nos festivais de Seatle, San Francisco, New York, Los Angeles, Florida, Las Vegas, Dallas, Chigago e Boston.
Cidade Dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001)
Escrito originalmente para ser o piloto de um seriado de televisão estrelado pelo roqueiro Marilyn Manson, este maravilhoso filme deu o prêmio de melhor diretor do ano a David Lynch no Festival de Cannes, categoria na qual também foi indicado ao Oscar e ao Golden Globe. Nesta produção surrealista, a relação amorosa entre duas atrizes é regida pela maravilhosa trilha sonora de Angelo Badalamenti.
Madame Satã (Idem, 2002)
Provavelmente o melhor filme brasileiro já produzido, Madame Satã é uma alegoria que conta a história do travesti João Francisco dos Santos. Vencedor do prêmio de melhor filme do Festival Internacional de Chicago, ganhou mais cinco prêmios internacionais. Filmado em estúdio, o filme faz uma bela homenagem ao cinema através da iluminação impecável e dos belos enquadramentos, lembrando o inovador filme Dancer in the Dark, de Lars Von Trier.
As Horas (The Hours, 2002)
Nicole Kidman ganhou o Oscar e o Golden Globe de melhor atriz nesta produção magistralmente dirigida por Stephen Daldry (de Billy Elliot). Com Merryl Streep, Juliane Moore e Ed Harris no elenco, esta sensível adaptação foi indicada a nove Oscars e sete Golden Globes, vencendo na categoria de melhor filme dramático.
Longe do Paraíso (Far From Heaven, 2002)
Escolhido como melhor filme do ano pela New York Film Critics Circle, Longe do Paraíso tem uma incrível combinação de metalinguagem cinematográfica e crítica social em um subtexto que não pode ser entendido por espectadores superficiais. A bela Julianne Moore e o polêmico Dennis Haysbert participam desta incrível produção indicada a quatro Oscars, quatro Golden Globes e vencedora de 59 prêmios.
Barbarella
Os fãs de Jane Fonda podem comemorar. Barbarella, o filme saído das histórias em quadrinhos que se transformou em cult movie finalmente sai em DVD. Mas, por que a história desta astronauta corajosa e sensual, cuja missão é encontrar um cientista renegado que fugiu levando o segredo de uma arma poderosa, tem de tão especial para ter se tornado um “cult” ?. Na verdade, isso se deve a audácia do diretor e da própria Jane, que, mesmo sob o peso de um roteiro superficial realizaram um filme original, com um humor aparentemente escrachado, uma direção de arte kitsch e psicodélica e uma certa dose de erotismo que na época (1968) eram revolucionários.
Com um justíssimo traje espacial, essa James Bond pós-feminista aterrisa no planeta Lytheon, em pleno ano 4000. Na companhia do anjo cego Pygar (John Philip Law) ela enfrenta a Rainha Negra e seus comparsas. Os homens bonitos que a ajudam são recompensados com sua desinibição sexual e , além de uma cena lésbica com a Rainha Negra (cortada na versão original), há momentos divertidos e memoráveis como a transa com a máquina de orgasmo e a cena de amor com o anjo.
O filme ainda tem participações especiais de personalidades como o ator David Hemmings e do mímico Marcel Marceau. E, uma última curiosidade: é do filme que saiu o nome da cidade SoGo, uma referência às cidades bíblicas Sodoma e Gomorra.
Trem Fantasma
Início dos anos oitenta. O mundo vivia o auge da liberdade sexual, recentemente conquistada na década anterior. Ao som da disco music, a regra é se divertir ao máximo. A vida sexual é levada às ultimas consequências, em saunas, encontros com michês, infinidade de parceiros. Sexo por sexo é algo comum e todos querem sua parcela de prazer a qualquer custo. Danceterias, bares, “poppers”, coisas de uma época em que tudo era permitido.
Repentinamente, o comportamento sexualmente livre e inconsequente de toda uma geração parece ter chegado ao fim. Rumores de uma doença que ataca sobretudo os homossexuais começam a circular. Pessoas ficam doentes, amigos morrem repentinamente. Uma devastação. Ninguém ainda sabe explicar o que está acontecendo. Era o princípio do fim de uma era.
“Trem Fantasma” resgata um pouco desta época. Com uma abordagem precisa e uma honestidade que causa até impacto, Carlos Hee reconstrói a história de homens que viveram estes trágicos momentos, ainda sob o frenesi das aventuras sexuais inconsequentes, quando a Aids fez suas primeiras vítimas. O autor resgata todo um universo, descrevendo moda, estilos, maneiras de pensar e de agir de pessoas que viviam cada momento com o máximo de intensidade. O título do livro é, segundo o autor, uma alusão ao brinquedo do parque de diversões, com suas emoções baratas e de prazer mórbido, mas que dão a certeza de que você continua vivo e belo no fim da brincadeira. Um livro tocante, tanto para os que viveram uma época, quanto para os que apenas ouviram falar dela...
Livros:
Viver é Pensar, Pensar é Viver
Fabrício Viana
Este e-book, disponível gratuitamente na página www.pensarehviver.hpg.ig.com.br/index.htm, é uma compilação de verbetes com reflexões e idéias do seu próprio autor, Fabrício Viana, bacharel em Psicologia e um escritor humanista . Como ele mesmo diz na apresentação, o livro é uma reunião de seus pensamentos, observações, frases e citações adquiridas em sua experiência de vida, com uma abordagem simples e muito pessoal a respeito de diversos assuntos como amizade, vida, estudo, gays, relacionamentos, etc...
Investigação Criminal
Autores: Vides Junior e Carllos Santos
Editora: Brasport
O jornalista Vides Junior é conhecido do público GLS por colaborar com a revista G Magazine. Desta vez, junto com seu colega de profissão Carllos Santos, ele se embrenhou pelos caminhos da investigação policial no livro "Investigação Criminal", que será lançado nesta quinta-feira, em São Paulo. Ao lermos suas páginas, percebemos que a experiência de Vides no universo GLS aparece bem refletida na história.
A trama é complexa. Trata-se de um serial killer cujo modus operandi é repetir o procedimento de crimes hediondos históricos do Brasil: Von Richthofen, Daniella Perez, PC Farias, meninos de Altamira. Chamado pela mídia de O Copiador, o maníaco deixa em cada um de seus crimes a foto da próxima cópia e a promessa "as mortes não cessarão enquanto Dom João da Costa Cunha continuar a viver".
Para comandar o caso, a policia convoca o delegado Ronaldo Leme, que começa a caçada policial que dá título ao livro. Aparecem técnicas altamente sofisticadas de investigação criminal e a trama vai sendo tecida de forma cada vez mais complexa. É assim que o livro prente a atenção do leitor.
Mas "Investigação Criminal" não é mera obra de ficção. É possível notar que há um profundo trabalho de pesquisa jornalística por trás. Além disso, a história é contada em tom jornalesco, quase como se fosse o dos noticiários de televisão: "Bruno acabou conhecendo alguns go-go boys e percebeu um novo caminho para seguir. Gastando rios de dinheiro, anabolizantes, aminoácidos e vitaminas, começou a modelar seu corpo e aprendeu a dançar, enquanto via seus amigos de programa destruindo-se em drogas e prostituição barata. Nesse meio tempo, enquanto arriscava seus primeiros rebolados numa boate gay, conheceu Alessio Karan, um alto executivo de uma empresa de telecomunicações que residia em Alphaville".
Dessa forma, o livro torna-se de fácil leitura, apesar da complexidade da trama e dos temas.
A capa também é interessante: sob um calendário, um crucifixo traz a imagem de Cristo de olhos vendados. As interpretações ficam por conta do leitor.
O luxo eterno
Autores: Gilles Lipovetsky e Ellyette Roux
Editora: Companhia das Letras
Junto com Ted Polhemus, Gilles Lipovetsky é um dos gurus da moda entre os acadêmicos. Nos anos 80, o filósofo provocou frenesi ao lançar “O Império do Efêmero”, livro no qual analisa a moda a partir de um viés filosófico. Em “O luxo eterno”, trabalho em parceria com Ellyette Roux, Lipovetsky analisa o universo do supérfluo – nada mais adequado nesses tempos de Daslu.
O ponto de partida é a constatação de que o consumo de bens luxuosos nunca foi tão grande. Para melhor entender o fenômeno, o autor faz uma ampla "arqueologia" desses bens, desde os tempos sagrados das tribos indígenas, passando pela Antiguidade e pela Renascença, até o dos grandes conglomerados das marcas atuais. E é nos dias de hoje que ele centra o foco.
Para Lipovetsky, mesmo em um período marcado pela preocupação com o tempo presente, o luxo se configura como área de domínio da eternidade. A relação dos consumidores é cada vez mais uma relação emocional com as marcas que os fazem sonhar, e isso dá origem a um prazer muitas vezes tão intenso que parece durar para sempre, afirma o filósofo. Fazendo jus ao rótulo de pensador original, a nova obra de Lipovetsky promete polêmica.
O segundo ensaio do livro, escrito pela especialista em marketing e gestão de marcas de luxo Elyette Roux, confirma as teses do filósofo com estatísticas e pesquisas sobre o universo dos produtos de alto padrão e analisa o gerenciamento de algumas das marcas mais desejadas da atualidade.
A paixão e a exceção
Autora: Beatriz Sarlo
Editora: Companhia das Letras
A ensaísta Beatriz Sarlo é um dos nomes mais proeminentes nos meios intelectuais latino-americanos. Ela faz parte de uma geração formada politicamente pelo peronismo e culturalmente por Jorge Luis Borges. Esses dois pólos de gravitação da paisagem cultural argentina no século XX constituem o eixo deste livro, que gira em torno do ícone gay argentino por excelência, Eva Perón. Para entender Evita, a autora capta as minúcias de seus penteados, roupas e jóias, poses fotográficas e discursos. O corpo de Eva forjou a imagem do peronismo; depois de sua morte, o corpo embalsamado transformou-se em objeto de paixão e fanatismo, símbolo do movimento que atingiu o clímax em 1970, quando os Montoneros executaram o general Pedro Eugenio Aramburu, chefe da junta militar que depusera Perón.
Para compreender o que une as duas faces do peronismo à obra de Jorge Luis Borges, antiperonista visceral, Sarlo trabalha em três planos que se cruzam em torno do texto borgiano, da excepcionalidade da beleza de Evita e da excepcionalidade passional da vingança política. ”A paixão e a exceção” é uma co-edição da Companhia das Letras com a Universidade Federal de Minas Gerais e fornece uma leitura agradável. Afinal, o que pode ser mais gay do que falar sobre os vestidos que Evita usava?
Shalimar, o equilibrista
Autor: Salman Rushdie
Editora: Companhia das Letras
Todos os temas recorrentes na obra de Salman Rushdie concorrem na trama de seu nono romance e se combinam para fazer de “Shalimar, o equilibrista” sua a narrativa mais impactante. É uma história de amor e vingança, com todos os ingredientes dos grandes épicos: guerras, revoluções, atos heróicos, assassinatos, tabus violados, destinos interrompidos e grandes deslocamentos no espaço, ao longo de sessenta anos de história do século XX.
No cenário das questões políticas mais nevrálgicas da história contemporânea, Rushdie constrói um enredo em que a paixão súbita e proibida de um embaixador americano por uma dançarina hindu, habitante da Caxemira, desencadeia uma série de acontecimentos que apontará para os vínculos complexos entre Ocidente e Oriente nos dias de hoje.
Com avanços e recuos no andamento narrativo, Rushdie conduz as histórias dos personagens em vias paralelas, mas as entrecruza magistralmente à medida que a obra avança. Os pontos de contato entre a história da Índia, a política dos Estados Unidos durante a Guerra Fria e a formação dos grupos extremistas islâmicos depois da queda da ex-União Soviética vão se tornando cada vez mais estreitos, relacionando-se às histórias ficcionais dos personagens Max Ophuls, Boonyi Kaul e Shalimar, o equilibrista. No romance, as esferas da ficção, da história, do mito e da política se confundem e ganham estatuto artístico excepcional.
A função de Shalimar, o equilibrista, é tentar desvendar o sentido da desarmonia que transformou sua vida em escombros. Para isso, durante sua representação - que outros chamariam vida -, terá de elevar-se por cima da copa de uma árvore em chamas e equilibrar-se numa corda feita de ar.
O livro começa com o encontro de Shalimar e a filha do embaixador, Índia, jovem inconformada com seu nome (“já ouviu falar de alguém que se chama Uganda?”, pergunta ela). A leitura é quase um devaneio, no qual uma idéia leva à outra. Rushdie também constrói imagens insólitas, como a do peso do céu azul sem nuvens.
Meu Amor
Autora: Victoria Redel
Editora: Record
O que acontece quando se ama demais? “Meu amor”, de Victoria Redel, tenta responder essa e mostra a crueldade que pode vir disfarçada de boas intenções. Na trama, a protagonista é filha de pais que suicidaram por meio de um pacto de amor. Depois da dupla morte, ela herda uma fortuna e surge o desejo obsessivo de ter um filho, preenchendo assim o lugar de um grande amor. Ela sai em busca de sexo casual e consegue ficar grávida de um desconhecido. O menino, Paul, é envolvido pela mãe em um mundo exclusivo, fruto de uma devoção infinita – beirando o doentio, se coubesse na história algum julgamento de valor. O universo criado apenas para os dois é repleto de arte, jogos e amor. Ao atingir a idade escolar, entretanto, a vida além do vínculo materno passa a atrair o menino, ameaçando os planos de mãe e caminhando para um final inevitavelmente trágico.
“Por que deixar o mundo devorá-lo e fazê-lo parecer tão normal como as outras crianças do playground?”, pergunta a mãe em determinado momento. Até a linguagem particular dos dois, embalada por apelidos carinhosos de bebês, é para ela mais bonita de se ouvir. Vê-lo brincando com outras crianças ordinárias e sem graça é doloroso demais. Esta mãe, de quem não sabemos nome nem endereço, luta para manter o filho ao seu lado e, ao mesmo tempo, longe da uma realidade.
Narrado em primeira pessoa e costurado com flashbacks, este é um livro corajoso porque mostra os frágeis limites entre o amor e o egoísmo nas relações intensas, qualquer que seja ela. Ao construir um retrato complexo e surpreendente do amor, Victoria Redel joga o leitor num labirinto, no qual não sabe se condena a protagonista ou entrega-se à compaixão. O livro foi eleito o melhor do ano pelo Los Angeles Times. Perturbador.
O Atiçador de Wittgenstein
Autor: David Edmonds & John Eidinow
Editora: Difel
Na fria noite de 25 de outubro de 1946, a Associação de Ciências Morais de Cambridge — um grupo de discussão filosófica para professores e estudantes da universidade — reuniu-se no King’s College para mais uma sessão. O orador convidado, Dr. Karl Popper, filósofo vienense recém-radicado na Inglaterra, viera de Londres para apresentar uma comunicação intitulada "Existem Problemas Filosóficos?", cuja afirmação positiva constituía o fio condutor de toda uma vida dedicada à filosofia da ciência.
O presidente da Associação, o professor e gay Ludwig Wittgenstein, também um filósofo vienense radicado na Inglaterra e notório por suas maneiras excêntricas e pelo fascínio que exercia sobre seus discípulos, por muitos considerado o mais brilhante filósofo de sua época, concluíra com seus estudos de lógica que os problemas filosóficos não eram senão “perplexidades”, quebra-cabeças lingüísticos. Dentre os pensadores e intelectuais presentes à reunião, destacava-se Bertrand Russell, que em circunstâncias diversas influenciara a trajetória profissional dos dois antagonistas.
No entanto, o embate de idéias que deveria entrar para a história do longo assédio filosófico não aconteceu. Censurado por agitar o atiçador de brasas — um velho hábito seu — enquanto contestava, de pé, as afirmações de Popper, Wittgenstein abandonou a sala de reunião dez minutos após a abertura da sessão. Mais tarde, ninguém soube dizer o que acontecera. E há nas versões conflitantes uma ironia, pois as testemunhas são pessoas ligadas ao estudo da epistemologia, do entendimento e da verdade.
O que esse incidente nos diz sobre as personalidades de Wittgenstein e Popper, seu relacionamento e suas crenças? Que relação guarda com sua origem comum na Viena fin-de-siècle, em famílias judias assimiladas, mas distanciadas por um abismo de riqueza e influência? O que nos diz de sua relação com o Círculo de Viena de filósofos do positivismo lógico? E de seu próprio destino, como do de suas famílias e amigos em face da perseguição nazista na Áustria anexada? E o que nos diz, finalmente, do cisma filosófico que os separava? É o que David J. Edmonds e John A. Eidinow, jornalistas da BBC, se propõem a responder nesta reportagem filosófica. Eles contam a história de um encontro, um relato criminalístico e uma divertida leitura biográfica e histórico-filosófica.
Wittgenstein e Popper influenciaram nossa forma de considerar os problemas fundamentais da civilização, da ciência e da cultura. Ambos acreditavam ter libertado a filosofia dos equívocos do passado e se consideravam de alguma forma responsáveis por seu futuro. O episódio do atiçador ultrapassa em muito o caráter e as crenças de cada um deles. Ele pertence à crônica daqueles tempos; “é uma janela aberta sobre a história trágica e tumultuada que moldou suas vidas e os reuniu, em Cambridge, pela primeira e última vez em suas vidas”.
O que é ser rio, e correr?
Alberto Guzik
Editora Iluminuras
Alberto Guzik faz parte daquela lista de escritores e artistas que, em cada uma de suas especialidades, descrevem, de maneira realista e profunda, o cotidiano da metrópole paulistana no final do século. “Risco de Vida”, seu romance mais conhecido, é uma síntese desse microcosmo e de seus personagens, durante os anos 80.
Em “O que é ser rio, e correr?” Guzik dá continuidade à descrição deste ambiente urbano, só que desta vez centrando-se na última década do século. O livro é uma reunião de histórias pessoais divididas em sete capítulos aparentemente independentes. Cada relato descreve a reação de personagens que tiveram suas vidas atravessadas por obras de arte. Adonias é um ator pornô que se vê envolvido por “Hamlet”, o clássico filme de Laurence Olivier. J.H é um advogado que se transforma após a leitura de Fernando Pessoa. Dora é uma empregada doméstica tocada com a reprodução de um quadro de Francis Bacon. Outros personagens que também nomeiam cada capítulo, estabelecem, em um momento de crise, um diálogo com artistas e suas criações. Tipos diferenciados que se articulam neste complexo painel urbano. Um leitura que alia, nas palavras de Aimar Labaki, as sensações de prazer e angústia.
Homossexualidade: dos preconceitos aos padrões de consumo
Autora: Adriana Nunan
Editora Caravansaria
O livro da psicóloga Adriana Nunan é a adaptação de sua dissertação de mestrado, defendida na Puc-Rio. A obra, de fácil leitura, pode ser dividida em duas partes: na primeira, Adriana expõe teorias sobre questões relativas ao universo homossexual como preconceito, questões de gênero e identidade sexual, consciência gay, sair do armário e mercado.
No segundo, com base em dez entrevistas feitas com homossexuais masculinos cariocas, a autora trás a tona o potencial consumidor gls, suas preferências e a forma de atingir esse público.
Diz ainda que o mercado não descobriu no Brasil essa fatia específica de público consumidor, ao contrário dos países europeus e dos EUA, foco maior da autora nas comprações. As marcas que já se direcionaram para esse público, segundo ela "desempenham um importante papel na integração dos homossexuais à sociedade".
A TV NO ARMÁRIO - a identidade gay nos programas e telejornais brasileiros.
Autor: Irineu Ramos -
Editora: GLS
Em pleno século XXI, os meios de comunicação ainda abordam as diferenças de gênero de forma preconceituosa – tanto no noticiário como nas novelas e em outros programas de entretenimento. Fruto de ampla pesquisa sobre a cobertura dada pela TV à questão homossexual, esta obra abre caminhos para problematizarmos a maneira pejorativa como a comunidade LGBT é retratada na telinha.
Prefácio de Carlos Eduardo Lins da Silva.
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